Meus pulmões se purificaram de alegria quando receberam no seu interior uma leva daquele ar fresco. Meus pensamentos se multiplicavam em turbilhões. O sol quente tocava minha pele coberta por trapos rasgados. Carros, pessoas e idéias se aglutinavam em minha cabeça como se o tempo depositasse na curva de minha mente todos os muitos sentimentos soltos pelas cabeças passantes.
Andei até uma mulher de longos cabelos ruivos e olhos azuis. Parei ao seu lado como se ouvisse o que ela gritava. Ela me olhou, ofendida. Seus olhos se fundiram em lágrimas e engasgada me disse “O que faz aqui?”. E de repente eu já não a via, os seus medos eu já não conseguia mais ouvir e aquela frase entrou consciente em meus neurônios conscientes e me fez sorrir. Foquei em seus olhos perdidos de novo, puxei-a pela mão e corri para as escadas que parávamos em frente.
Ela me seguia, carregando aqueles olhos curiosos. Subimos tanto que sua respiração quis falhar. Seus olhos alegres piscavam sem ritmo. De lá de cima ela via o céu azul límpido. Eu via seus olhos tristes. E a cada pássaro que voava sobre nossas cabeças eu via seus olhos mudarem de modo, de cor e de palavras.
E então passou um bando de andorinhas e eu entendi. Eu vi tudo dentro daqueles olhos, e a sua eternidade imensamente perturbadora me fez entender cada pequeno tudo dentro de mim e dentro da vida grande que me rodeava, me tocava, me cheirava, me sentia, me afogava.
Soltei sua mão e lhe disse com toda a verdade dentro de mim “Lindos olhos.”. O segundo que antecedeu seu sorriso me contou todos os adjetivos que eu iria sentir em meu futuro. E assim aconteceu. Seu sorriso brilhante me despediu daquela imensidão de mundos e me levou de volta às minhas linhas em branco.
Corri até o fim do prédio e o começo do céu. Corri até o começo de um beija-flor e o fim das asas. Corri até o começo da distância e o fim do tempo. Corri para dentro. Corri demais. Ele conseguiu, pensei, enquanto corria pouco, só se esqueceu que homens perfeitos não precisam existir. Voei.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
"Abrace sua loucura antes que seja tarde demais"
Era uma vez uma fada. Era novinha ainda, não sabia muito sobre suas asas e então não tinha muita fé de que elas a levariam pra cima daquela relva verde que a rodeava. Voava sempre a uns poucos centímetros do chão, e até via outras fadas voarem mais alto, mas a sua televisão mostrava a mesma coisa, e ambas pareciam tão irreiais, já que não era com ela... Ninguém nunca tentou dar a mão para a fada e dizer que a levaria para cima, que a ensinaria sobre a vida sob o céu.
E como não o fizeram, ela se acostumou, e sempre foi a normalidade voar como ela voava.
Mas o que não é bom de algum jeito, nunca se adapta completamente. O inadaptável não se acomoda, uma vez que algo sempre suscita pra denunciar o incômodo contido.
As asas da fadinha começaram a pulsar, a dar surtos de voo, a sofrer espasmos. A fada assustada, sentiu fortemente a realidade que já imaginava existir: não podia ser só aquilo.
Se agarrou no olhar de uma outra fada que passava por ali, e que sem dúvida pareceu gostar da companhia da amiga. Voaram e chegaram alto. Os olhos da fada agora já alcançavam por trás dos hologramas, e sua asa batia inquieta, e de tão rápida, parecia flutuar num movimento intacto.
Mas a fada a quem tinha se agarrado resolveu voltar para o solo, uma vez que não tinha tirado os olhos do chão, e deixou o holograma absorvê-la mais uma vez. E essa puxou a fada real para onde tinham partido, e a fada, ligando aquele sentimento explosivo que carregava agora, depois de ter voado alto, com o companheiro das alturas, associou o seu bem estar á fadinha cega, e não ao seu voo.
Acabou voltando ao chão e por dias não conseguiu levantar voo, pois sua memória havia guardado as instruções milimetricamente desenhadas com mais um personagem no enredo.
Se consumiu horas tentando descobrir não o que havia vivido, mais sim o que esteve vivendo por tanto tempo. Aquela não-vida, aquela falta de cores, aquela ausência de luz.
E um ano se passou, e a fada agora consegue pelo menos olhar para cima. E sabe que conseguiria voar. Mas o sentimento emitido na travessia, no caminho vivido era tão colorido em sua memória, que seus pézinhos leves quase se recusavam a levantar voo sem um olhar de companhia.
Mas a natureza não obedece a caprichos: sua pequena asa volta a pulsar um sangue intenso, faminto por sentimentos. Fada de limites. Chega ao fim de suas capacidades, pra poder alçar voo e abranger seus 'ilimites'. Explora cada dor, inconsciente.
Tenta não pensar, não magicar, mas é quase inevitável. Ouve, sempre, de quem chega perto: "Vem, vamos além."
Mas ela tem que se libertar. Deixar seus pensamentos correrem soltos, brincarem, rirem, se esbaldarem no parque florido e fresco de sua imaginação. Não pode, logicamente, deixar de separar os limites da sua cabeça e da sua realidade. Vão acontecer sempre diferentes, como cada batida quase gêmea de suas asas. Mas tem que criar a luz. A luz de dentro, pra não deixar a escuridão de fora penetrar e invadir o seu brilho.
De dentro, a luz se espande. E vai buscar alimento, razão pra existir. Afinal é isso que tudo sempre faz. Busca razão, nexo, história, correspondência.
Quando ela entendeu isso, voou de olhos fechados. Abriu os braços e sentiu. Fagulhas abriam seus olhos, asas risonhas dançavam irisadas, e a fada voou até aonde ela sonhava.
domingo, 12 de abril de 2009
Limite
Tem dias que o corpo não encontra a alma. E então paramos o corpo pra sentir a alma querendo ser mais, a alma sonhando em viver.. E o corpo devagar, o corpo inanimado é tão mais lento do que o tudo imenso que a alma só imagina... Dói não ter o corpo do tamanho da alma, dói expandir, dói parar o corpo, dói sentir a alma. Dói na alma e no corpo.
O vácuo entre esses dois espaços e tempos é muito abismático, asmático, ensurdecedor. Afoga, aperta, machuca e questiona o sentido da melodia que eles tocam quando se encontram por inteiro.
Nem todo dia somos inteiros.
O vácuo entre esses dois espaços e tempos é muito abismático, asmático, ensurdecedor. Afoga, aperta, machuca e questiona o sentido da melodia que eles tocam quando se encontram por inteiro.
Nem todo dia somos inteiros.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Sei e sinto a mudança de fora, e principalmente a de dentro de mim. Quanto mais nos segurarmos a sentimentos, iludidos pelo conceito de que pra ser eterno tem que ser igual, perderemos todas as pequenas mágicas dentro de cada tudo e pessoa, que suscitam sentimentos nunca sentidos. Mudança é a eternidade.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Lado
Eu costumava subir até a sala mais alta do castelo com meus retalhos guardados em uma caixa púrpura, e lá eu permanecia costurando e remendando pedaços soltos, uns nos outros, até que o sol roubasse a minha atenção para seus raios que atravessavam o vitral e enchiam a sala de fagulhas rosas. Todos os dias, em dez anos, eu permaneci maravilhada olhando aquela dança que o vento e a luz performavam. E assim que o sino batia, a voz delicada de Gael me convidava para o chá. Era basicamente só aquilo que conseguia me disperçar do mundo de uma cor só que havia me integrado. Descia as escadas calada, e limpava a poeira rosa que me cobria os olhos e a roupa e a alma. Pelo caminho, deixava rastros que iam dançando graciosamente até se dissolverem naquele mundo cinza.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Mais uma de você
Era vermelha, média e gostosa. Tinha os contrastes necessários para ter uma aparência apetitosa assim como tinha os ingredientes contrastadamente certos para ter o gosto certo. O gosto que, curioso, me faz ter saudade dela. Ela não ficou comigo por mais de alguns segundos, não me contou segredos mágicos sobre a sua composição, não fez minha vida mais completa por uma eternidade. Só tocou meus lábios delicadamente, se fazendo completa dona de minha atenção por alguns segundos, deixou a conexão sentir/pensar mais evidente quando percebi que o seu crocante aumentava ainda mais a minha fome, percebi que o seu doce me viciava sutilmente e o seu morango quebrava o que meu paladar já começava a se acostumar. Era uma sintonia perfeita, com suas castanhas rabiscando pontinhos na massa apetitosa que me encantava na perfeição dos seus contornos.
Veio de fora, entrou em mim e completou matematicamente uma parte que não precisava de complemento certo, que só precisava de algum. Ou talvez até nem precisasse. Mais foi ela que levou minha necessidade embora.
E agora ela já não existe visivelmente para mim. Existe por dentro, nas minhas veias, no vai e vem de todos que moram dentro de mim, nos meus pensamentos que esbarram suas arestas pelos seus morangos, nas correntes de água que entram agitadas tentando levar embora qualquer forma errada. Nas correntes de sorrisos que ficaram gravados e que superam a dor quando não ha rostos. Mais o que é a dor? O que são sorrisos? O que são rostos? Não vejo nenhuma dessas três palavras verdadeiramente presentes agora. Apenas sinto o esboço da uma lembrança de alguma coisa, que mais faz ter a certeza de estar escrevendo sobre três coisas que existem.
Mais o que é existir? Minha tortilha, vermelha castanha e branca, pastosa e crocante, adocicada e levemente ácida, existia em minha frente, privou minha visão e alimentou viciosamente minha imaginação incansável quando entrou dentro de mim, e agora é o que? Agora ela é eu?
Mais quem sou eu?
Sou eu, ela? Sou eu, os sorrisos? Sou eu, as dores, os rostos?
Assim acho que não há pecado se eu me sentir um pouquinho você. Você que me deixou por fora e que só fez minha fome de querer saber os porquês das coisas serem como são aumentar...E agora entendo que as coisas são como são, porque eu sou como sou. E que na verdade, ninguém é inteiramente, porque ninguém é o que os outros são. Pelo menos não totalmente. Só uma pequena parte, um pequeno sentimento comum, uma pequena palavra com o mesmo sentido, uma cor com a mesma cor que dois olhos veem. Tão raro isso, ser igual por dentro. E é isso que liga algumas pessoas a algumas pessoas. Será? A força calada e inexpresível de um sentir/pensar gêmeo, que não atrai, mais mantêm...E ai, nossa preguiça vai e joga seu pozinho, afim de não querermos pensar e conversar e entender, que a gente vai aprendendo a ser só a gente, esquecendo que a gente só vai ser alguma coisa de verdade quando a gente for todo mundo.
Você me deixou por fora. Por dentro alguma coisa muito parecida com você e comigo, e com a gente, ainda pulsa, corre, nada, nas veias, nos músculos, na água do meu sangue. Ou talvez não, quem sou eu pra explicar as razões do seu eu dentro de mim não ter ido embora?
Quem sou eu pra dizer que alguma coisa vai embora...
Veio de fora, entrou em mim e completou matematicamente uma parte que não precisava de complemento certo, que só precisava de algum. Ou talvez até nem precisasse. Mais foi ela que levou minha necessidade embora.
E agora ela já não existe visivelmente para mim. Existe por dentro, nas minhas veias, no vai e vem de todos que moram dentro de mim, nos meus pensamentos que esbarram suas arestas pelos seus morangos, nas correntes de água que entram agitadas tentando levar embora qualquer forma errada. Nas correntes de sorrisos que ficaram gravados e que superam a dor quando não ha rostos. Mais o que é a dor? O que são sorrisos? O que são rostos? Não vejo nenhuma dessas três palavras verdadeiramente presentes agora. Apenas sinto o esboço da uma lembrança de alguma coisa, que mais faz ter a certeza de estar escrevendo sobre três coisas que existem.
Mais o que é existir? Minha tortilha, vermelha castanha e branca, pastosa e crocante, adocicada e levemente ácida, existia em minha frente, privou minha visão e alimentou viciosamente minha imaginação incansável quando entrou dentro de mim, e agora é o que? Agora ela é eu?
Mais quem sou eu?
Sou eu, ela? Sou eu, os sorrisos? Sou eu, as dores, os rostos?
Assim acho que não há pecado se eu me sentir um pouquinho você. Você que me deixou por fora e que só fez minha fome de querer saber os porquês das coisas serem como são aumentar...E agora entendo que as coisas são como são, porque eu sou como sou. E que na verdade, ninguém é inteiramente, porque ninguém é o que os outros são. Pelo menos não totalmente. Só uma pequena parte, um pequeno sentimento comum, uma pequena palavra com o mesmo sentido, uma cor com a mesma cor que dois olhos veem. Tão raro isso, ser igual por dentro. E é isso que liga algumas pessoas a algumas pessoas. Será? A força calada e inexpresível de um sentir/pensar gêmeo, que não atrai, mais mantêm...E ai, nossa preguiça vai e joga seu pozinho, afim de não querermos pensar e conversar e entender, que a gente vai aprendendo a ser só a gente, esquecendo que a gente só vai ser alguma coisa de verdade quando a gente for todo mundo.
Você me deixou por fora. Por dentro alguma coisa muito parecida com você e comigo, e com a gente, ainda pulsa, corre, nada, nas veias, nos músculos, na água do meu sangue. Ou talvez não, quem sou eu pra explicar as razões do seu eu dentro de mim não ter ido embora?
Quem sou eu pra dizer que alguma coisa vai embora...
sexta-feira, 25 de julho de 2008
contigo
E de repente uma vontade livre e ousada de não ter mais saudade suscita em meu peito, domina minha cabeça e completa minhas razões. E daí eu vejo que algumas coisas existem por não existir nada. A vontade de ser cheio, de ser, apenas, é tão grande que nasce. A minha saudade só existe porque queria não ser mais uma saudade. Queria você, já perdi o controle dos porquês, já não faz mais sentido, já não tem mais razão. Mais se ainda é, alguma coisa deve ter sido real (ou irreal) o suficiente pra atravessar tanto tempo, tanto espaço.Me confundo nas palavras, já não faço sentido, ele ficou em você.
Não quero que eu esteja em você, por mérito dos meus pensamentos. Quero estar ai porque você quis, e por nada mais. E se você quiser, se só por um segundo o teu sentimento dar as mãos com o meu e eles se casarem porque se descobriram irmãos demais, eu vou prai. Eu vou e, se você quiser, eu fico todo dia. Fico até que o sentido se perca e não queira mais ter vontade de existir. E se você quiser, eu espero. Espero até que o nada que nasceu da morte do sentido seja mãe de uma nova sintonia, de um novo sentimento. E se ainda existir um pouquinho de amor, e se você quiser, eu prometo que não vou embora nunca mais.
Não quero que eu esteja em você, por mérito dos meus pensamentos. Quero estar ai porque você quis, e por nada mais. E se você quiser, se só por um segundo o teu sentimento dar as mãos com o meu e eles se casarem porque se descobriram irmãos demais, eu vou prai. Eu vou e, se você quiser, eu fico todo dia. Fico até que o sentido se perca e não queira mais ter vontade de existir. E se você quiser, eu espero. Espero até que o nada que nasceu da morte do sentido seja mãe de uma nova sintonia, de um novo sentimento. E se ainda existir um pouquinho de amor, e se você quiser, eu prometo que não vou embora nunca mais.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Rabisco 01
Fato é que não ando sentindo muitas coisas ultimamente. Se não sinto, não escrevo. Coisa esquisita é a gente, um dia morre de dores, outro morre de felicidade e outro simplesmente não sente nada. Nada, tudo sem nenhum capricho, brilho ou beleza. Um copo é apenas um copo, nessas épocas. E as vezes até menos que isso.
Tenho aqueles pequenos indicadores de coisas boas nos meus dedos. São branquinhos, até um dia atrás, senti que um deles estava pra acontecer. Mais não consigo mais não me importar com as coisas todas. Me cansa.
Acabo voltando ao passado em busca de sentir umas boas e velhas emoções. Sinto saudades, mais não as mesmas de um, dois, três, cinco meses atrás. Hoje é uma saudade quieta, desgastada. Parece que tem medo de sofrer. Bom, não posso culpar ela, já andei tirando o seu descanso por diversas vezes... Vou acabar rasgando isso daqui e indo dormir, não senti nenhuma verdade em todas essas palavras. Mesmo sendo isso o que eu sinto. É como a foto dele, hoje já não mexe muito comigo...Era o que eu temia, estou quase esquecendo. Aliás, quase deixando que mude. Não quero falar disso, já pensei demais, me cansou.
Mais ainda me puno quando vejo que parte de mim ainda não veio pro presente. Grito-a para voltar, mais ela insiste em ser naqueles dias. Acho que é a culpa é dele...Vou para ali, e depois para a cama me deitar e sonhar. Quem sabe amanhã as coisas me façam sentir alguma coisa que as diferencie dos sonhos, porque até agora não consegui separar esses dois mundos...Boa noite, estrela.
Fato é que não ando sentindo muitas coisas ultimamente. Se não sinto, não escrevo. Coisa esquisita é a gente, um dia morre de dores, outro morre de felicidade e outro simplesmente não sente nada. Nada, tudo sem nenhum capricho, brilho ou beleza. Um copo é apenas um copo, nessas épocas. E as vezes até menos que isso.
Tenho aqueles pequenos indicadores de coisas boas nos meus dedos. São branquinhos, até um dia atrás, senti que um deles estava pra acontecer. Mais não consigo mais não me importar com as coisas todas. Me cansa.
Acabo voltando ao passado em busca de sentir umas boas e velhas emoções. Sinto saudades, mais não as mesmas de um, dois, três, cinco meses atrás. Hoje é uma saudade quieta, desgastada. Parece que tem medo de sofrer. Bom, não posso culpar ela, já andei tirando o seu descanso por diversas vezes... Vou acabar rasgando isso daqui e indo dormir, não senti nenhuma verdade em todas essas palavras. Mesmo sendo isso o que eu sinto. É como a foto dele, hoje já não mexe muito comigo...Era o que eu temia, estou quase esquecendo. Aliás, quase deixando que mude. Não quero falar disso, já pensei demais, me cansou.
Mais ainda me puno quando vejo que parte de mim ainda não veio pro presente. Grito-a para voltar, mais ela insiste em ser naqueles dias. Acho que é a culpa é dele...Vou para ali, e depois para a cama me deitar e sonhar. Quem sabe amanhã as coisas me façam sentir alguma coisa que as diferencie dos sonhos, porque até agora não consegui separar esses dois mundos...Boa noite, estrela.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Stay where I can see you
Parcialmente tomada por um sono manso, ela se deitou. Cobriu-se até a cabeça, deixando que o ar frio do lado de fora tocasse só a sua face. Fechou os olhos e entrou no seu mundo. E era lá que as suas idéias, seus planos, suas pessoas, suas saudades, seus medos, suas ilusões, suas mudanças, suas dores, suas alegrias, suas lembranças eram guardadas, alimentadas e relembradas quase para sempre. Hoje, ela selecionou as suas saudades, e deixou o seu corpo deitado para ir reviver uma saudade mais presente...
Depois ela se sentiu irreal demais, voltou a abrir os olhos. Queria o presente... Pensou na possível única diferença de ter vivido aquele momento um mês atrás e de viver ele agora, de novo: agora ela o vivia sozinha. E sozinha, os pensamentos aumentavam milhões de vezes, lá e aqui. Sozinha, as chances de um mesmo sentimento se aflorar junto, ao mesmo tempo diminuíam tristemente.
E devagar, meio tímida, meio culpada, ela deixou escapar uma lágrima... Estava afogada em turbilhões de pensamentos... Queria alguma coisa real, queria aquela realidade... De novo.
Depois ela se sentiu irreal demais, voltou a abrir os olhos. Queria o presente... Pensou na possível única diferença de ter vivido aquele momento um mês atrás e de viver ele agora, de novo: agora ela o vivia sozinha. E sozinha, os pensamentos aumentavam milhões de vezes, lá e aqui. Sozinha, as chances de um mesmo sentimento se aflorar junto, ao mesmo tempo diminuíam tristemente.
E devagar, meio tímida, meio culpada, ela deixou escapar uma lágrima... Estava afogada em turbilhões de pensamentos... Queria alguma coisa real, queria aquela realidade... De novo.
sábado, 26 de abril de 2008
Anel
Foi uma noite bonita. A lua, tímida, começava a aparecer por entre as nuvens que haviam coberto o céu por longos dias e noites. Algumas pequenas estrelas dançando, começaram a cantar suas músicas inaudíveis por entre o céu. Clarissa, sentada no degrau da escada, encolhia suas pernas de modo a ficarem o mais perto possível do seu peito. Uma leve brisa levantava e arrepiava cada centímetro de sua pele. Um ar carregado de mistério e ao mesmo tempo muito leve, ao ponto de querer carregar Clarissa pelos seus braços.
Diego estava em pé, falando sobre algumas coisas que nem ele sabia se sentia mesmo, mais usando a forma mais convincente de se falar. Clarissa se encantava.
Ela era uma menina diferente. Tinha uma paixão pela conquista, pelos abraços, pelo mistério, pelo encanto. Mas nada que fosse óbvio demais, banal demais ou mesmo rápido demais. Gostava de sonhar...
Ele tinha passado por muitas, e cada uma era um novo aprendizado. No final, ele acabou acertando num jeito de ser que agradasse, que provocasse. Estilo.
"Senta..." ela disse quando a chuva começou a cair da lua. Ele recusou, mais depois, por medo de se molhar, ou por vontade de se aproximar, sentou ao seu lado. Clarissa sorriu. Diego começou a falar, e por vezes ela podia perceber alguns medos escondidos por trás de coragens bem ditas. Olhava pra ele o minímo possivel, perto demais...Ela escutava e as palavras dele iam fazendo uma trilha para dentro dos pensamentos dela.
Deram as mãos por coragem dele, talvez até por experiência. Clarissa tinha uma satisfação secreta quando a barreira física era quebrada, porque ela sentia como se ficasse perto de verdade de alguma coisa real. Ela, já tão acostumada com o abstrato...
Um carinho já menos tenso, encostava nela, fazendo-a arrepiar assim como a brisa. Até um pouco mais.
Ela olhou para seus olhos. Escuros, intensos, misteriosos. Imaginou para quantos olhos ele já havia olhado, quantos sorrisos já havia dado, quantas pessoas já haviam passado por aquela vida ali, perto dela agora. Pensou, com um pouquinho de ciúmes, quantas pessoas já haviam feito aqueles olhos brilharem, e quantos olhos já haviam o feito abrir um sorriso de verdade. Imaginou de quais sorrisos ele ainda não esquecera.
"agora, o presente dele sou eu." pensou...que honra fazer parte do presente dele...! Que vontade de manter aquilo, só aquilo, só aquela magia misturada que o sorriso dele emitia em resposta ao dela. Aquele sorriso charmoso, aquele olhar de "você sabe...". Ela sabia. Ele sabia. Só não ousavam dizer e quebrar com aquele clima. Ele, porque talvez tivesse aprendido muito pouco ainda sobre os sinônimos externos do amor dela, e talvez tivesse medo de voltar pra casa magoado com um não. Ela, porque gostava exatamente do jeito que estava, não precisava de mais, de além...mesmo porque sabia que se fosse além, não haveria mais nada pelo que esperar.
Continuaram de mãos dadas. Ela, sabendo que um dia sentiria falta daquele instante. Ele...nem ele sabia. De alguma forma tinham captado ao menos a metade do sentimento emitido de um para o outro. O que ele pensava, o que os outros já pensaram, o que ele aprendeu, o que o 'obvio' insinuava, fez com que a outra metade do sentimento emitido por ela, se perdesse. Ou melhor: por não ser captado, foi eternizado como parte de toda aquela matéria, de todo aquele ar, de todas aquelas palavras, abraços e sorrisos ditos e sentidos naquele momento.
O mesmo aconteceu com ela, sobre o que ele emitiu.
E ambos emitiram não o que sentiram de verdade, mais sim o que pensavam, o que achavam que o outro pensava, o que já haviam pensado, o que o 'obvio' deixou imposto, o que haviam aprendido. A pureza tinha sido denegrida, e assim uma vibração cheia de máscaras foi emitida, e colocando-se ainda mais um pouco de máscaras, foi captada.
Mais no fundo, em uma pequena parte do movimento feito no ar pela sensação que eles sentiram, o sentimento original estava lá.
Simples vítimas de uma perda de sintonia mundial, eles não se conectaram completamente naquele e mais no outro dia. Porém, no fundo, os dois, nos seus pensamentos, começaram a fazer o conceito de cada sentimento envolvido. Um conceito magicamente não muito contorcido, quase real...
E iam aprofundando as verdades sobre aquelas montanhas de areias em que seus sentimentos se abrigavam, a medida com que o dedo dele acariciava delicadamente a mão dela, enquanto se davam as mãos.
Ela, que já não esquecia fácil as coisas, carregava ele mais um dia dentro dela. Consciente disso. Doia saber que o presente dele já não era mais ela, e que por mais próximo que ela tentasse estar, nunca seria o suficiente. Se já não sabia nem os rumos que os pensamentos dele podiam estar tomando em cada minuto, as pessoas que podiam estar fazendo o coração dele disparar era impossivel de imaginar. O quanto dela permanece nele ainda era a sua pior dúvida. Mais sabia, que de qualquer forma, as suas mãos tinham feito parte da história das mãos dele, que os olhos dele, ainda que talvez não tivesse brilhado de verdade, tinham ao menos enchergado os dela brilharem. E os sorrisos, mesmo congelados em algumas fotos, não perderam o sentido pra ela que olha...e nem pra ele...
Parece tão distante. Ele ainda é presente na vida dela. Ela espera ser de novo, na dele...
Tão confuso. As novas notícias dele parecem tão abstratas, tão irreais. Ele estará sentindo tanto pensamento e tanta lembrança ser revivida aqui por ela?
Diego estava em pé, falando sobre algumas coisas que nem ele sabia se sentia mesmo, mais usando a forma mais convincente de se falar. Clarissa se encantava.
Ela era uma menina diferente. Tinha uma paixão pela conquista, pelos abraços, pelo mistério, pelo encanto. Mas nada que fosse óbvio demais, banal demais ou mesmo rápido demais. Gostava de sonhar...
Ele tinha passado por muitas, e cada uma era um novo aprendizado. No final, ele acabou acertando num jeito de ser que agradasse, que provocasse. Estilo.
"Senta..." ela disse quando a chuva começou a cair da lua. Ele recusou, mais depois, por medo de se molhar, ou por vontade de se aproximar, sentou ao seu lado. Clarissa sorriu. Diego começou a falar, e por vezes ela podia perceber alguns medos escondidos por trás de coragens bem ditas. Olhava pra ele o minímo possivel, perto demais...Ela escutava e as palavras dele iam fazendo uma trilha para dentro dos pensamentos dela.
Deram as mãos por coragem dele, talvez até por experiência. Clarissa tinha uma satisfação secreta quando a barreira física era quebrada, porque ela sentia como se ficasse perto de verdade de alguma coisa real. Ela, já tão acostumada com o abstrato...
Um carinho já menos tenso, encostava nela, fazendo-a arrepiar assim como a brisa. Até um pouco mais.
Ela olhou para seus olhos. Escuros, intensos, misteriosos. Imaginou para quantos olhos ele já havia olhado, quantos sorrisos já havia dado, quantas pessoas já haviam passado por aquela vida ali, perto dela agora. Pensou, com um pouquinho de ciúmes, quantas pessoas já haviam feito aqueles olhos brilharem, e quantos olhos já haviam o feito abrir um sorriso de verdade. Imaginou de quais sorrisos ele ainda não esquecera.
"agora, o presente dele sou eu." pensou...que honra fazer parte do presente dele...! Que vontade de manter aquilo, só aquilo, só aquela magia misturada que o sorriso dele emitia em resposta ao dela. Aquele sorriso charmoso, aquele olhar de "você sabe...". Ela sabia. Ele sabia. Só não ousavam dizer e quebrar com aquele clima. Ele, porque talvez tivesse aprendido muito pouco ainda sobre os sinônimos externos do amor dela, e talvez tivesse medo de voltar pra casa magoado com um não. Ela, porque gostava exatamente do jeito que estava, não precisava de mais, de além...mesmo porque sabia que se fosse além, não haveria mais nada pelo que esperar.
Continuaram de mãos dadas. Ela, sabendo que um dia sentiria falta daquele instante. Ele...nem ele sabia. De alguma forma tinham captado ao menos a metade do sentimento emitido de um para o outro. O que ele pensava, o que os outros já pensaram, o que ele aprendeu, o que o 'obvio' insinuava, fez com que a outra metade do sentimento emitido por ela, se perdesse. Ou melhor: por não ser captado, foi eternizado como parte de toda aquela matéria, de todo aquele ar, de todas aquelas palavras, abraços e sorrisos ditos e sentidos naquele momento.
O mesmo aconteceu com ela, sobre o que ele emitiu.
E ambos emitiram não o que sentiram de verdade, mais sim o que pensavam, o que achavam que o outro pensava, o que já haviam pensado, o que o 'obvio' deixou imposto, o que haviam aprendido. A pureza tinha sido denegrida, e assim uma vibração cheia de máscaras foi emitida, e colocando-se ainda mais um pouco de máscaras, foi captada.
Mais no fundo, em uma pequena parte do movimento feito no ar pela sensação que eles sentiram, o sentimento original estava lá.
Simples vítimas de uma perda de sintonia mundial, eles não se conectaram completamente naquele e mais no outro dia. Porém, no fundo, os dois, nos seus pensamentos, começaram a fazer o conceito de cada sentimento envolvido. Um conceito magicamente não muito contorcido, quase real...
E iam aprofundando as verdades sobre aquelas montanhas de areias em que seus sentimentos se abrigavam, a medida com que o dedo dele acariciava delicadamente a mão dela, enquanto se davam as mãos.
Ela, que já não esquecia fácil as coisas, carregava ele mais um dia dentro dela. Consciente disso. Doia saber que o presente dele já não era mais ela, e que por mais próximo que ela tentasse estar, nunca seria o suficiente. Se já não sabia nem os rumos que os pensamentos dele podiam estar tomando em cada minuto, as pessoas que podiam estar fazendo o coração dele disparar era impossivel de imaginar. O quanto dela permanece nele ainda era a sua pior dúvida. Mais sabia, que de qualquer forma, as suas mãos tinham feito parte da história das mãos dele, que os olhos dele, ainda que talvez não tivesse brilhado de verdade, tinham ao menos enchergado os dela brilharem. E os sorrisos, mesmo congelados em algumas fotos, não perderam o sentido pra ela que olha...e nem pra ele...
Parece tão distante. Ele ainda é presente na vida dela. Ela espera ser de novo, na dele...
Tão confuso. As novas notícias dele parecem tão abstratas, tão irreais. Ele estará sentindo tanto pensamento e tanta lembrança ser revivida aqui por ela?
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